Termo de referência para contratação de produtos e serviços de radiocomunicação

Radiocomunicador

O erro mais comum de um profissional de TIC é definir qual a tecnologia deve ser utilizada, antes de conhecer a realidade dos usuários do serviço contratado

Costumo dizer que quem não sabe o que quer comprar, acaba comprando o que mercado quer vender, e, tratando-se de projetos dificilmente as necessidades dos usuários serão atendidas sem que um bom termo de referencia, determine quais as premissas que o fornecedor licitante deve atender.

A tecnologia é de relevante importância, pois se tratando de um recurso de TIC, a atualização da tecnologia geralmente é muito rápida.

Como ter implica em manter, é temerário não fazer simulações de quanto custará nos próximos anos manter o parque que está sendo adquirido.

A partir dessas simulações, dúvidas importantes quanto à modalidade de aquisição começam a ser respondidas.

A principal delas é referente a ter o patrimônio ou não. Algumas empresas têm claramente definida qual a política, enquanto outras dão bastante liberdade a seus gestores para contratar o que for mais vantajoso.

Manter um parque de rádios é como manter uma frota de veículos.
Manter um parque de rádios é como manter uma frota de veículos.

Manter um parque de rádios é como manter uma frota de veículos. O mais barato é a aquisição dos produtos.

Custos indiretos como licenciamento, taxas da Anatel, instalação, contrato de manutenção com tempo mínimo de atendimento, devem ser computados para realmente se saber quanto custa o recurso.

Conhecer a legislação que rege o serviço de licenciamento, bem como saber se o produto é homologado pela Anatel é de fundamental importância para prevenir multas e outras sanções.

Outro ponto de relevante importância para se fazer uma estimativa realista é saber quanto será o custo de reposição dos principais itens do parque de rádios, tais como antenas (de rádios portáteis e móveis), microfones, teclas de ptt, potenciômetro, caixa do rádio, baterias, entre muitos outros, que podem variar drasticamente de um modelo para outro.

Ainda quanto a escolha dos modelos de rádios, muitas decisões devem ser tomadas em conjunto com outras gerências.

Por exemplo: quais as áreas classificadas com risco de explosão na planta industrial? Quais os colaboradores que laboram nesse ambiente de risco? Esses colaboradores não podem utilizar rádios comuns, mas sim rádios intrinsecamente seguros. Este modelo de equipamento é certificado pelo Inmetro e sua não utilização nessas áreas pode acarretar sérios riscos para a empresa e seus colaboradores.

No ambiente de empresas de bioenergia, por exemplo, cada departamento tem uma necessidade específica.

Na maioria das indústrias hoje existe o COI. Geralmente cada processo possui um rádio (portátil ou base) dedicado e um canal exclusivo para gerenciamento eficaz e eficiente daquela rotina.

A correta instalação do COI deve ser realizada por profissionais capacitados com supervisão do engenheiro elétrico e civil. Planejar detalhes como tubulação adequada para passagens dos cabos e estratégias para fixação das antenas é de fundamental importância, não somente para o aprimoramento operacional, mas sobretudo para atendimento à resolução 303 da Anatel, que trata de saúde e meio ambiente.

Já na área agrícola os desafios são bem maiores. Primeiro precisamos identificar quais são as áreas de interesse.

Muitas vezes um único sítio de repetição não é suficiente para garantir cobertura a toda a área. Quando falamos de sítio de repetição, estamos falando de infraestrutura, que representa um gasto muitas vezes igual ou maior que a aquisição de todo o sistema.

Instalar os repetidores provisoriamente em torres emprestadas e sem condições de segurança e energia elétrica de qualidade é a receita certa para interrupções do serviço decorrentes de panes, fato que acarretará muitos contratempos ao gestor e gastos desnecessários.

A implantação do serviço de radiocomunicação envolve não apenas investimento, como planejamento e estudo.
A implantação do serviço de radiocomunicação envolve não apenas investimento, como planejamento e estudo.

Convém lembrar que uma pane do canal da logística, por exemplo, pode impactar o fluxo de entrada de cana na Usina.

Outro departamento que merece especial planejamento é a brigada de incêndio, serviço de saúde, segurança patrimonial e do trabalho. Geralmente eles são agrupados e gerenciados por um único departamento, especialmente no ambiente corporativo.

Por salvaguardar bens de valor incalculável, como a vida, além do patrimônio da empresa é recomendável que se conheça a fundo, ao se desenvolver o projeto, quais são as áreas críticas onde a comunicação não pode falhar.

É recomendável a realização de simulados para evacuação de área com a utilização do sistema de rádio como apoio de comunicação aos membros da equipe em questão.

Uma vez dissecada a necessidade de cada um dos departamentos, aí sim o gestor de TIC, pode começar a escrever o termo de referência, pois saberá exatamente quais as necessidades dos usuários que utilizarão o sistema.

A definição de qual o SLA de atendimento para as estações repetidoras, quais os serviços que estarão inclusos na rotina de manutenção preventiva, qual a periodicidade ideal para essa rotina, além da definição clara de outros custos.

Isso criará um cenário de concorrência justo para os participantes da licitação e para o contratante, sendo que o fornecedor saberá exatamente o que deve entregar e o comprador saberá exatamente qual o custo que irá desembolsar pelo serviço.