Tecnologia: a arte da superação ou a ciência da criação?

Tecnologia

A palavra tecnologia deriva do grego techne, que na antiguidade tinha vários significados, sendo os principais as palavras arte e técnica, dentre outras ligadas à filosofia.

No contexto da arte, a tecnologia pode ser definida como a capacidade de superação e evolução do homem ou ainda o resultado final de uma ideia humana concretizada por meio da técnica.

Já no contexto da técnica, a palavra techne pode ser entendida como o meio através do qual o trabalho do artista se concretiza no mundo.

Muito tempo se passou dos gregos da antiguidade até os séculos XVII e XVIII, épocas que a ciência ganhou grande impulso sob a influência do pensamento de Francis Bacon, Rene Descartes e Immanuel Kant, dentre outros pré e pós-iluministas.

Através do método foi possível a adoção de técnicas para se verificar fenômenos da natureza, de modo comprovatório e cientifico, e consequentemente, emitir após análise dos fatos um juízo de valor conclusivo.

Tal advento criou um divisor de águas entre ciência e a superstição, que até então eram uma coisa só, o empirismo.

Nesta época, inventos importantes foram trazidos ao mundo, seja pela genialidade, seja pela persistência de seus inventores no afã de superar dificuldades cotidianas. Um dos mais importantes do ponto de vista industrial foram os motores a vapor, que mudaram radicalmente a forma de produção e também de como o homem se locomoveria sob a face da terra.

Os motores a vapor passaram a impulsionar fábricas, barcos e locomotivas, que revolucionaram toda a estrutura de produção e logística do mundo, que até então dependiam completamente  da tração animal.

Matrizes energéticas como o carvão e o petróleo passaram a ter grande valor pelo seu valor estratégico no processo de industrialização e circulação de bens e produtos.

Os motores à vapor foram o grande propulsor do progresso.
Os motores à vapor foram o grande propulsor do progresso.

Nesse contexto, em 1750 ocorria na Inglaterra a Revolução Industrial, que inaugurou a era moderna. A tecnologia da engenharia mecânica foi determinante para invenções que possibilitaram a ascensão da burguesia e de uma nova ordem da economia mundial, sendo esta o gérmen da sociedade atual.

Dessa forma, os séculos XIX e XX criaram enorme quantidade de bens e riquezas, que passaram a circular pelo mundo em velocidade nunca antes vista. A burguesia, inicialmente composta por comerciantes e industriais, enriqueceu a ponto de criar um mercado financeiro europeu, que rapidamente se internacionalizou.

Nascia o mercado internacional financeiro, as bolsas de valores dedicadas a comercializar ativos, as bolsas de mercados futuros dedicadas a comercialização de contratos agrícolas de safras vindouras.

Pela primeira vez na história o lastro para a riqueza não era mais um bem concreto: sal, gado, trigo ou ouro, como no passado. A riqueza passou a ser representada por ativos intangíveis, tais como: títulos de créditos e contratos de diversos tipos. Eis aqui a criação de um novo tipo de riqueza, incorpórea e abstrata. Prenúncio da virtualização que viria no fim do século XX? Talvez.

Vivemos hoje o século XXI. A era da informação. Fruto da internet e da globalização que destruiu distâncias e barreiras culturais (algumas), quebrou paradigmas e aproximou pessoas.

A tecnologia encurtou distâncias e uniu gerações
A tecnologia encurtou distâncias e uniu gerações.

Penso que a tecnologia decisiva para esses eventos se deu pelo desenvolvimento dos meios de telecomunicações. Refiro-me especialmente a tecnologia de telefonia móvel e a internet, que recentemente convergiram para o mesmo produto e mundialmente pode ser adquirido pela grande maioria da população do planeta.

A questão agora é: o que virá após a era da informação? Que uso estamos fazendo das tecnologias de informação para evoluirmos enquanto sociedade? Qual o compromisso que os governos e empresários do setor de telecomunicações têm para com o desenvolvimento social?

Suscito tais questões baseado na quantidade incrível de informação banal e sem valor hoje disponível na internet, seja nos veículos da mídia, seja nas redes sociais.

Será que a saga percorrida pela humanidade há mais de 2 milênios não tem um objetivo ético e social claramente definido? Ao que parece o techne, enquanto técnica (meio) sobrepujou o techne enquanto arte (função do objeto no mundo).

Como diria Sêneca: de nada adianta bons ventos, se não sabemos para onde ir…