Reguladores dizem que é preciso estimular expansão do 4G para áreas rurais na AL

As redes móveis de quarta geração (4G) na América Latina por enquanto se concentram nas grandes cidades, mas podem vir a ser uma solução para a conectividade de banda larga no interior, especialmente com a adoção da frequência de 700 MHz, faixa que permite um alcance muito maior que a de 2,6 GHz usada atualmente no Brasil, por exemplo. A utilização do 4G em 700 MHz para essa finalidade deveria ser estimulada nos planos nacionais de banda larga adotados pelos países latino-americanos, sugere o secretário executivo da Citel, Clóvis Baptista. “Há uma dívida com a área rural. Enquanto a cobertura móvel nas grandes cidades latino-americanas é de primeiro mundo, nas áreas com baixo interesse comercial existe um déficit que precisa ser resolvido. A nossa sugestão de política de governo é que se incorporem aos planos nacionais de banda larga estímulos para a ampliação da rede 4G em 700 MHz, por meio de parcerias entre governos e iniciativa privada”, disse Baptista, durante painel no evento LTE Latin America, nesta quinta-feira, 9, no Rio de Janeiro.4g-areas-rurais

O diretor para América Latina da 4G Americas, José Otero, concordou e acrescentou que junto com a cobertura das áreas rurais com 700 MHz deveriam ser oferecidos serviços de telemedicina e de educação à distância. “É preciso levar serviços complementares, não apenas banda larga”, disse. E criticou o fato de alguns planos nacionais de banda larga terem um tempo de vida limitado. “Esses planos precisam ser de longo prazo e evoluir junto com as tecnologias”, recomendou.

No Chile, o recente leilão de 700 MHz para 4G foi o primeiro daquele país a incluir metas de atendimento de Internet e voz em áreas rurais, informou Raúl Moyano, chefe da divisão de política regulatória da Subtel, agência reguladora chilena.

Problema comum
O chefe de política regulatória do IFT, do México, Luis Lucatero, ponderou que as necessidades de banda larga são diferentes em cada país latino-americano, mas ressaltou que há um problema comum que une a todos: a dificuldade de instalação de antenas devido a exigências burocráticas dos municípios. “Há casos no México em que se precisa de 17 licenças para instalar uma torre celular. É um problema que ultrapassa a esfera de atuação do regulador de telecom. É de ordem de política pública geral e envolve a autonomia municipal. Os governos federal e municipais precisam dialogar sobre isso”, comentou.