Por que as Femtocélulas são tão pouco utilizadas pelas operadoras?

Aprovada desde novembro de 2013 pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), mediante publicação da resolução 624, a regulamentação das femtocélulas é uma opção viável na mitigação de problemas de falta de cobertura em ambientes indoor. Já utilizada em outros países do mundo, principalmente nos Estados Unidos e Europa, a tecnologia das femtocélulas, ou ainda, picocélulas, são indicadas especialmente em regiões com tráfego de dados intenso. Nos EUA elas têm o nome genérico de small cells.

As femtocélulas são estações rádio base de pequeno porte. Possuem um watt de potência e área de cobertura que varia amplamente e são utilizadas em shopping centers, hotéis, centro de convenções mundo afora, entre outros. Elas possibilitam que haja sinal de telefonia móvel em ambientes fechados “repetindo” o sinal de fora da estrutura para dentro de prédios.

Elas funcionam basicamente amplificando o sinal das operadoras de telefonia móvel em ambientes fechados como um roteador de sinal wi-fi. São muito úteis para “iluminar” locais onde o sinal geralmente cai, tais como elevadores, garagens localizadas em subsolos e outros. Outra utilização comum é em locais de eventos, como casas de shows, estádios, parques, onde em dias específicos existe a aglomeração de milhares de pessoas.

São aptas a instalar equipamentos de femtocélulas apenas as operadoras do SMP (Serviço Móvel Pessoal), ou terceiros por elas contratados, detentores da licença do Serviço de Comunicação Multimídia. Os consumidores de telefonia móvel não podem ser cobrados pelo serviço de reforço de sinal, afinal de contas, o serviço em questão é complementar ao contratado pela operadora, que só tem a ganhar financeiramente com o acesso do cliente à rede.

Tal limitação existe, pois o uso indiscriminado em residências pode acarretar interferências prejudiciais, que ao invés de melhorar a qualidade do serviço, surtiriam o efeito contrário. Cabe lembrar que cada operadora possui um plano de frequência e as femtocélulas utilizam frequências licenciadas que são uma extensão da rede principal.

Além de aumentar as receitas das operadoras permitindo o acesso de mais assinantes à rede, as femtocélulas economizam muito dinheiro na aquisição de torres de infraestrutura e tempo para obtenção de licenças e alvarás ambientais. Enfim, são eficazes e baratas.

Se a solução para mitigação de problemas técnicos existe, se mundo afora a tecnologia já é utilizada com sucesso, considerando que a Anatel em outubro do ano passado já regulamentou a sua utilização, com exclusividade para as operadoras, por que ainda não temos femtocélulas funcionando em grandes centros urbanos? Nada justifica o nosso atraso.

Dane Avanzi é empresário e vice-presidente da Aerbras – Associação das Empresas de Radiocomunicação do Brasil.