Por Que 2013 Pode Ser o Ano do Apagão na Telefonia Móvel?

Apagão da telefonia móvel

Segundo informações da Anatel, o Brasil possui 260 milhões de linhas móveis. Este número supera em 30% a população brasileira.

Isso nos causa certa perplexidade, mas pode ser explicado pelos diversos tipos de serviços prestados pelas operadoras de telefonia móvel, bem como pelos diferentes tipos de perfis dos consumidores.

Uma parte considerável dessas linhas pertence a pessoas de baixa renda que, para economizar, possuem chips de várias operadoras e procuram se beneficiar das promoções ou isenções de tarifas em ligações oferecidas em cada plano. Além do uso para assuntos particulares, outra parcela dos consumidores ainda recebe uma linha cedida pela empresa, que é de uso estritamente profissional.

Há também aqueles que moram em fronteiriças entre Estados ou que precisam passam períodos alternados em outras cidades e acabam tendo que habilitar uma nova linha para evitar pagar Roaming (tarifa de visitante mais alta), e por isso possuem um chip de cada código de área.

Afora isso, além dos serviços de dados e voz disponíveis em todos os aparelhos, desde os mais básicos aos mais tecnológicos, existe uma gama de produtos que as operadoras desenvolveram para o público corporativo, tais como: pagamentos e transações bancárias via cartão de crédito, monitoramento de imóveis utilizados por empresas de segurança, rastreamento de veículo pelas seguradoras, alarmes em agências bancárias, entre tantos outros que são vendidos aos milhares de linhas.

Será que vamos presenciar um apagão na telefonia em 2013?
Será que vamos presenciar um apagão na telefonia em 2013?

O problema é que na maioria das vezes onde há ampla concentração de usuários utilizando esses serviços como, por exemplo, em shoppings, eventos e shows, ocorre o congestionamento da rede.

Decorre daí algumas das principais causas da má qualidade do serviço, tais como a incapacidade de realizar ou receber uma chamada, o não processamento de mensagens de texto, sem falar no baixo desempenho dos pacotes de dados dos smartphones vendidos como “3G”, mas que na verdade possuem velocidade das antigas conexões discadas.

Aliás, os Smartphones, que são capazes de transmitir arquivos volumosos de imagens e vídeos, é hoje uma das principais preocupações dos grupos de estudos da UIT (União Internacional de Telecomunicações), em razão da grande quantidade de espectro que os milhões de aparelhos em uso no mundo ocupam.

Tal preocupação de ordem ambiental constitui um grande desafio às agências reguladoras de telecomunicação de todas as nações, que necessitam cada vez mais aprimorar a gestão do espectro de modo a garantir o acesso a todos os seus cidadãos e evitar a saturação dos sistemas e do próprio meio ambiente. Questões de grande dilema da era da informação.

No entanto, para compreender melhor as dificuldades de operação da rede pública nacional de telefonia móvel, que faz parte de um sistema complexo que se entrelaça também com a telefonia fixa, precisamos separar as demandas de grande porte das de pequeno porte, para assim perceberemos quais são as maiores dificuldades.

Para entender a macro demanda, levemos em consideração a estrutura do setor eletricitário – que é bastante semelhante ao da telefonia–, onde existem atividades de geração da energia com grandes usinas como Furnas e Itaipú, e atividades de transmissão e distribuição do que foi gerado – trabalho realizado pelas concessionárias de energia elétrica.

Fazendo uma analogia, é correto afirmar que hoje no Brasil não existe nas telecomunicações a infraestrutura adequada as novas tecnologias (cabos de fibra ótica) com capilaridade e capacidade de prover o serviço com níveis de qualidade equivalentes em âmbito nacional. Por ser uma obra de eminente valor estratégico para a nação, e demandar vultuosos recursos financeiros, deve obrigatoriamente ser feita pelo governo brasileiro.

Já as dificuldades de disponibilização do serviço ao consumidor final, são exclusivamente responsabilidade das operadoras de telefonia móvel, que tem obrigação de prover o serviço. As áreas com baixa densidade demográfica, onde as receitas não são tão atraentes mediante a instalação de torres e equipamentos em qualidade e quantidade compatível ao número de linhas e planos de serviços comercializados e ativos, também ficam por conta das operadoras.

O governo federal, com o Plano Nacional de Banda Larga, capitaneado hoje pela Telebrás, deve liderar esse processo junto aos demais “players” (operadoras do sistema que incluem também provedores de internet locais) do setor para que haja uma mudança significativa do quadro que se agrava.

Outra falha das operadoras e que deve ser pontuada é não fazer uso de um “Backbone” nacional (sistema que possibilita maior tráfego de dados) de qualidade e projetado para uma economia em crescimento. Mas, justiça seja feita. O problema da falta desse sistema não ocorre somente no Brasil. Nos Estados Unidos da América também existe um Plano Nacional de Banda Larga que está duro de sair do papel, ainda mais agora com o agravamento da crise financeira mundial.

Celular sem sinal: episódio se repete frequentemente.
Celular sem sinal: episódio se repete frequentemente.

Via de regra, em qualquer lugar do mundo os grandes centros onde há concentração de consumidores recebem maior atenção das operadoras em detrimento de áreas rurais onde o retorno do investimento e a capacidade de renda é menor.

A lógica é financeira. Investe-se mais onde o retorno é maior e mais rápido. Nesse quadro, o Brasil, um país com forte vocação agrícola, carente de serviços de telecomunicações de qualidade no campo, tem sido muito prejudicado pela falta de um backbone, de torres e equipamentos das operadoras em regiões rurais.

A Anatel, por sua vez, deve fiscalizar as receitas as empresas e determinar metas de investimento para serem aplicadas no custeio e ampliação da infraestrutura da rede, bem como qualificação de mão de obra. A rede pública de telefonia é um sistema complexo que possui uma determinada capacidade que se encontra saturada e necessita de ações e investimentos urgentes por parte do governo e das concessionárias.

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