Pagamento do 4G anima empresários e alivia contas públicas do governo

TIM, Claro, Vivo e Algar repassaram os R$ 5,1 bilhões da outorga para a concessão. O valor é 36,2% menor que os R$ 8 bilhões previstos inicialmente pelo ministro Paulo Bernardo

São Paulo – O valor 36,2% abaixo do previsto pelo governo com a licitação da faixa de 700Mhz, para o uso do 4G no Brasil, não diminuiu a repercussão positiva do pagamento das outorgas em Brasília (DF). Para analistas ouvidos pelo DCI, o desespero em busca de um superávit primário é o responsável por essa postura de parte do governo.

“O resultado do leilão foi quase 40% menor do que o previsto inicialmente, isso pode ser considerado um desempenho ruim em um cenário 4gnormal da economia. O problema, no entanto, é que o cenário não é mais comum: a economia está patinando e o governo está endividado”, diz o professor de macroeconomia, doutorado em contas públicas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Carlos Lintra Dias.

A comemoração do pagamento das outorgas das operadoras Claro, TIM, Telefônica-Vivo e Algar Telecom – que somaram R$ 5,1 bilhões ante aos R$ 8 bilhões previstos pelo governo – também foi sinalizada pelo ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, após a assinatura dos contratos, em Brasília. “As empresas estão sendo vistas como heroínas em alguns blocos da Esplanada. Mas será que as pessoas estão mais preocupadas com o superávit primário do que com a melhoria do serviço?”, disparou.

Para Dias, o governo já trabalhava com a perspectiva de engordar o lucro público com o certame desde o ano passado, mas não previa que a economia perdesse tanto nesse período. “Os problemas da economia brasileira não podem ser, e não serão, resolvidas com mágica. Com a economia reticente era óbvio que o pagamento do leilão ficaria a baixo do previsto”, disse Dias.

Faltaram outros leilões

O consultor econômico e professor da Universidade Paulista (Unip), André Quintão, partilha da mesma opinião. “O otimismo do governo me surpreende, e muito. Não se fala, por exemplo, da grande furada que foi a tentativa de realizar leilões de portos e ferrovias”, diz.

Na visão do acadêmico, mesmo com a economia indo mal, o governo poderia diminuir o impacto das dívidas públicas, se conseguisse destravar os leilões. “Além de tudo, o governo bate cabeça com o Tribunal de Contas da União [TCU], com empresários e com partidos de oposição.”

Benefícios do 4G

Driblando assuntos econômicos, durante a coletiva após a assinatura dos contratos, o ministro anunciou que a previsão é de que até 2019 todos os municípios sejam contemplados com o serviço. “[Pelo cronograma] Todas as cidades com mais de 30 mil habitantes têm que ter 4G em 2017, final de 2017”, disse. “E para 2019, teremos 3G e 4G em todos os municípios do Brasil.”

De acordo com Bernardo, nos próximos quatro anos, o 4G pode se consolidar como a principal tecnologia de banda larga móvel. “As empresas sabem que na verdade pagaram barato pela faixa, porque esse será o serviço predominante. A frequência de 700 MHz é o filé mignon para se fazer o 4G.”

Diminuindo o impacto da arrecadação inferior à prevista para o certame, o presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), João Rezende ressaltou o avanço em serviços prestados pelo setor daqui para frente. “Independentemente de quanto o leilão de 4G arrecadou, temos que olhar a importância do leilão para a indústria de telecomunicações. Estamos incentivando a indústria brasileira a encontrar soluções”, diz.

Teles x radiodifusoras

Entre os pontos de maior incerteza no processo licitatório, os custos para a “limpeza” da faixa de 700Mhz, hoje ocupada por empresas de radiodifusão, foi garantida pelo presidente da Telefônica Vivo, Antônio Carlos Valente. “A sociedade pode ficar tranquila, porque os direitos dos radiodifusores estarão garantidos e vamos trabalhar para que a expansão do 4G nessa frequência seja rápida”, disse ele em Brasília, ao completar: “Muitas pessoas acharam que seria impossível que estivéssemos assinando hoje os contratos da frequência de 700 MHz”, disse.

Já o presidente da Claro, Carlos Zenteno, enalteceu a importância da data. “Agora teremos muito trabalho a fazer, para a limpeza da faixa e implantação do 4G.”

O vice-presidente de assuntos institucionais da TIM, Mario Girasole, disse que o processo que começa agora é ainda mais desafiador.

Entre as teles de médio porte, o diretor-presidente da Algar Telecom (antiga CTBC), Divino Sebastião de Souza, agradeceu a oportunidade da empresa adquirir um lote regional correspondente à sua área de atuação – 150 municípios de Minas Gerais, São Paulo, Goiás e Mato Grosso do Sul.

Por: Paula Cristina

Fonte: http://www.dci.com.br/servicos/pagamento-do-4g-anima-empresarios-e-alivia-contas-publicas-id431442.html