Mapeamento de riscos de infraestrutura: aprendendo com o rato de Fukushima

Fukushima

Riscos não podem ser eliminados, mas sim mitigados. Sendo assim, essa precisa ser uma rotina essencial na vida das empresas.

Nunca é demais recorrer a antigos preceitos. “O perigo está onde menos se espera” é um ditado antigo, porém verdadeiro. Quinta-feira passada, a usina nuclear Dai-Ichi, em Fukushima, no nordeste do Japão, foi surpreendida por um fato inusitado.

Um rato causou um curto circuito de grande proporção ao roer um cabo da linha de transmissão da usina – a mesma que sofreu um acidente nuclear em março de 2011, depois de ser atingida por um terremoto seguido por um tsunami.

O novo acidente poderia ter tido consequências extremamente graves. Felizmente, contudo, ocorreu apenas um apagão e o fornecimento de energia foi restabelecido em pouco tempo.

De qualquer modo, fica a lição e a certeza de que o velho adágio está atualíssimo. O fato demonstra a importância de investimento em infraestrutura e segurança.

A verdade é que nenhuma instalação está livre de riscos, em qualquer parte do universo, seja no primeiro, no segundo, no terceiro ou em “outros mundos” da terra.

O Japão, reconhecido mundialmente na construção de estruturas civis seguras, inclusive a prova de terremotos, foi surpreendido por um pequeno roedor.  Como enfrentar o ratinho? Muito simples.

Bastaria planejar e manter uma rotina de mapeamento de riscos e ações preventivas. Se, claro, a tecnologia dos japoneses pode prever um tsunami com meses de antecedência, deveria também estar preparada para impedir pequenos acidentes, como neutralizar os dentes afiados de uma ratazana faminta.

Mapear riscos é rotina essencial para preveni-los e mitigá-los. No caso do rato de Fukushima, o mapeamento de riscos detectaria o problema.

Por falha no mapeamento de riscos, um rato quase coloca a segurança de uma usina nuclear em risco.
Por falha no mapeamento de riscos, um rato quase coloca a segurança de uma usina nuclear em risco.

No plano de ações, os técnicos japoneses poderiam ter executado a desratização do ambiente. Como riscos podem ser mitigados, mas não eliminados, é importante que esse tipo de rotina seja incorporado à cultura das empresas, com a execução de mapeamento de riscos de forma contínua e cíclica, pois eventos externos e internos alteram naturalmente o cenário do risco.

Em alguns setores, existe o falso juízo de que tal rotina custa caro e é desnecessária. Trata-se de visão estreita e imediatista. Mesmo porque é muito mais caro remediar o prejuízo.

Aliás, remediar nunca foi solução. Às vezes, como no caso da boate Kiss, de Santa Maria/RS, os danos podem ser irreparáveis, por ter vidas humanas envolvidas.

Na era da informação, a indisponibilidade de um recurso de telefonia, internet ou ainda de energia elétrica, pode paralisar uma planta industrial, impedindo que o atendimento a uma situação de emergência ocorra em tempo hábil.

Em casos de acidentes e desastres, um segundo pode ser a diferença entre o sucesso e o fracasso de um resgate.

Nesse sentido, a radiocomunicação é ferramenta imprescindível no combate a situações de emergência, conforme recomenda a UIT – União Internacional de Telecomunicações -, agência da ONU designada para o setor e encarregada da coordenação das telecomunicações no mundo.

Cabe, enfim, aos gestores de infraestrutura aprender com o caso do rato de Fukushima. A fórmula de minimizar perigos é simples.

Basta recitar um mantra diário, com algumas indagações: será que tenho mapeadas todas as criticidades das instalações e sistemas que administro? Tenho planos de ações para serem implementados, em caso de emergência? Como estão funcionando minhas redundâncias?

Aprender com o erro – de preferência dos outros – é a forma mais barata de melhorar os próprios processos de gestão.

Negócio não é loteria. Afinal de contas, “a sorte aparece quando a oportunidade encontra o cidadão preparado”. Mesmo porque um ratinho atrevido jamais avisa quando virá para o jantar.