Espectro radioelétrico: como otimizar o uso deste recurso não renovável

Espectro radioelétrico é o meio utilizado para a propagação das ondas radioelétricas. A rigor, existem somente dois meios de propagação de sinais, com cabos (fibra ótica, cabeamento estruturado) ou sem fio (wireless). Toda a comunicação sem fio utiliza o espectro radioelétrico para sua propagação – comunicação via rádio.
Podemos citar como exemplos a radiodifusão (AM, FM, Ondas curtas), as emissoras de TV aberta, internet distribuída com sinal de rádio (muito comum em todo o Brasil), operadoras de telefonia celular e algumas concessionárias de TV por assinatura, caso da Direct TV, Sky, entre outras que usam antenas para captar o sinal.
Muitos dispositivos residenciais também consomem o espectro radioelétrico, quando usamos um fone de ouvido Bluetooth, um telefone sem fio, controle remoto para abertura de um portão e até um brinquedo controlado por comando à distância estamos, na verdade, acionando um transmissor radioelétrico.
Como podemos notar, muitos são os usuários e por conta disso a administração desse importante recurso natural se tornou um problema ambiental em âmbito mundial pela alta demanda de serviços de telefonia e internet em todo o mundo.
Preocupada com o assunto, a UIT – União Internacional de Telecomunicações, agência da ONU designada para a coordenação do assunto, tem liderado junto aos governos, fabricantes de produtos de telecomunicação e outros “players” do mercado para a adoção de padrões de modulação e canalização de frequências de modo a otimizar esse recurso natural que é finito, escasso e não renovável.
No ambiente da radiocomunicação esse assunto é de vital importância, haja vista a utilização do serviço por órgãos públicos essenciais à sociedade, tais como engenharia de tráfego, segurança pública, companhias de água, eletricidade (desde a geração até a distribuição aos consumidores), comunicação com aeronaves e ambulâncias, entre outros. No âmbito privado o serviço de radiocomunicação também é imprescindível para a agilização de tarefas nas principais atividades dos setores primário, secundário e terciário.
O sucesso do serviço de radiocomunicação é a capacidade de comunicação instantânea em grupo de dez, cem ou até milhares de usuários simultaneamente, além da possibilidade de prover sinal mesmo nos locais mais remotos, onde não há nenhum outro meio de comunicação. Tudo isso sem cobrança de tarifas. Paga-se uma taxa anual por rádio de aproximadamente um real por mês. Decorrendo daí o amplo interesse de toda a sociedade, em geral, na utilização desse importante meio de comunicação independente de operadoras.
Adriano Fachini é empresário do setor de telecomunicações e presidente da Aerbras – Associação das Empresas de Radiocomunicação do Brasil.