Como será a qualidade do 4G em áreas rurais?

Como será a qualidade do 4G em áreas rurais?

Estudo feito pelo Instituto de Tecnologia Avanzi mediu a qualidade dos serviços de telefonia móvel nas áreas rurais

No primeiro trimestre deste ano, o setor do agronegócio puxou o crescimento de 0,6% do Produto Interno Bruto (PIB), expandindo 9,7% em relação ao trimestre anterior, segundo dados divulgados em maio passado pelo IBGE.

A alta na agricultura foi a maior desde o segundo trimestre de 1998, quando bateu 13,9%. Na comparação com o mesmo trimestre de 2012, a expansão foi de 17%, a maior da série histórica do IBGE, que tem início em 1996.

Em tempos de “Pibinho”, trata-se realmente de um grande feito. Por que não crescemos mais?

Dentre tantos fatores como, falta de mão de obra especializada e carga tributária escorchante a falta de infraestrutura adequada é o maior dos entraves para quem produz no Brasil.

O quesito infraestrutura, não se refere somente a portos, aeroportos, rodovias. Também há um componente estratégico e fundamental na era da informação: infraestrutura de telecomunicações.

Em junho de 2012 a Anatel licitou a faixa de 450MHz para a implantação do serviço móvel privativo em áreas rurais. É importante salientar que a subfaixa de 450MHz a 470MHz, eram destinadas a diversas tecnologias de automação de processos industriais tais como piloto automático, de plantadoras, colhedoras agrícolas e serviços de radiocomunicação de voz e dados.

Dos 20MHz destinados a esses serviços sobraram somente 2MHz, para o agronegócio, setor responsável pela geração de riqueza de 25% do PIB brasileiro, cerca de 1,1 trilhão de reais.

Estudo do Instituto Avanzi mediu a qualidade do serviço de telefonia em áreas rurais.
Estudo do Instituto Avanzi mediu a qualidade do serviço de telefonia em áreas rurais.

O serviço móvel privativo, em tese, pode prover infraestrutura de telecomunicações, e inclusive melhorar o desenvolvimento econômico e social, desde que as concessionárias de serviços de telecomunicações invistam na infraestrutura necessária.

Considerando esse contexto, o Instituto Avanzi, ONG de proteção ao consumidor de telecomunicações, foi ao campo em áreas rurais medir a qualidade da capacidade efetiva dos serviços de comunicação de dados das 4 maiores operadoras, e percorreu mais de 2 mil quilômetros em diversas localidades na divisa entre os estados de São Paulo e Minas Gerais.

Foi utilizado nesse teste software de processos, metodologias e parâmetros homologados pelo 3GPP, Organismo Internacional de Padronização de Serviços de Tecnologia 3G.

Convém ressaltar, que o processo para envio de dados via Serviço Móvel Privativo é composto de 4 etapas, a saber:

  1. Terminal do usuário conecta-se a torre.
  2. Registra-se.
  3. Loga.
  4. E finalmente começa a transferir os dados.

Esse processo vale para qualquer serviço: baixar emails, navegar na internet, mandar SMS, etc.

Se um dos processos falhar, a operação não se efetiva e uma nova tentativa é iniciada. O sinal das operadoras esteve presente em mais de 90% das áreas percorridas, mas efetivamente a taxa de transferência de dados para pacotes de 3k (equivalente ao envio de um SMS), foi possível com efetividade em 37,5% (Vivo), 5,85% (Claro), 3,58% (Tim) e 7,71% (Oi).

Outro dado interessante é a composição das redes das operadoras. Nas áreas percorridas constatamos que a Claro possui 66,69% de redes 3G e 33,31% de redes 2G; a Tim 81,35% de redes 3G e 18,65% de redes 2G; a Vivo 59,36% de redes 3G e 40,64% de redes 2G e a Oi 86,34% de redes 3G e 13,66% de redes 2G.

Para o consumidor o que importa é a efetividade do serviço, não a quantidade de sinal.
Para o consumidor o que importa é a efetividade do serviço, não a quantidade de sinal.

Teoricamente as redes com maior cobertura em 3G deveriam apresentar melhor resultado no teste de transferência real de dados, mas na prática não foi assim, uma vez que foi a Vivo, em terceiro lugar no ranking de atualização de tecnologia, conseguiu melhor performance de transferência efetiva de dados, que é o que interessa para o usuário, pois não adianta ter sinal e não mandar a mensagem.

Esse dado nos indica que independente da tecnologia para que haja qualidade no sistema é preciso investimento, equipamentos em qualidade e quantidade adequados a demanda (números de linhas com serviços comercializados) e manutenção das redes.

As operadoras vencedoras do edital do 450MHz têm até junho de 2014 para disponibilizar o serviço de telefonia móvel em 30% dos municípios em um raio de 30 km, e até dezembro de 2015 em todos os municípios brasileiros.

Provavelmente, escolherão a tecnologia 4G, pois não tem sentido investir em tecnologias passadas. A pergunta que fica é: com que qualidade e efetividade atenderão os usuários do serviço?