Boate Kiss: O Uso de Radiocomunicadores Poderia Ter Salvo Muitas Vidas

Ontem o Brasil acordou perplexo com a tragédia ocorrida em Santa Maria/RS, na qual, segundo os últimos relatos, 234 pessoas morreram e 123 pessoas ficaram feridas numa boate.

Tragédias acontecem o tempo todo em todo lugar. Ninguém pode anular o riscos, mas é possível sim, mitiga-lo com planejamento, mapeamento e um bom plano de ações.

Como grandes tragédias nunca tem um único culpado, mas sim vários, essa não foi diferente. Como sempre a omissão do Poder Público, que não exerceu sua atividade adequadamente no que tange a fiscalização, tem considerável cota de culpa. No entanto, a maior parte da culpa, pelo que temos conhecimento pela imprensa, cabe aos gestores/proprietários do local.

É impressionante como a banalização de processos de gestão e mapeamento de riscos, bem como de engenharia de segurança, tidos como importantes em qualquer lugar civilizado, é um mero detalhe, ou ainda, sequer existem, para muitos administradores de negócios aqui no Brasil.

O resultado desse tipo de cultura, certamente foi o germe da tragédia da Boate Kiss. Show pirotécnico em ambiente fechado sem nenhum planejamento (que mundo afora causou incêndios em boates gerando inúmeras tragédias), falta de brigada de incêndio local (exigida para evento desse porte), superlotação da casa (estima-se que a casa estava com 300 pessoas além de sua lotação),  sinalização de saída deficiente, porta de emergência trancada, segurança sem comunicação adequada e percepção que estava ocorrendo um incêndio, todos esses erros, fruto de péssima gestão e planejamento, decretaram a morte de centenas de jovens.

Boate Kiss: exemplo de descaso às leis e ao povo brasileiro
Boate Kiss: exemplo de descaso às leis e ao povo brasileiro.

Essa cultura, de contar com a sorte, de achar que coisa ruim só acontece com os outros, é a real causa de muitas pequenas e grandes tragédias que ocorrem no Brasil.

Aqui joga-se com a sorte o tempo todo, em parte por causa da impunidade, podemos citar como exemplo o emblemático caso do naufrágio do Bateau Mouche ocorrido em 1988, sem julgamento dos culpados até hoje, passado mais de 2 décadas.

Tramita no Congresso Nacional uma Lei Federal que obrigará que a cada 5 anos que seja contratado um engenheiro para fiscalizar e validar se o projeto de uma planta baixa de construção está corretamente instalado, por exemplo.

No entanto não adianta a lei se a cultura empresarial do Brasil e as Autoridades constituídas não fizerem sua parte. Oxalá a Sociedade Brasileira aprenda com os erros e consiga evoluir gerando uma nova ética. Enquanto isso não ocorrer, fica a dúvida: Será que Deus é mesmo Brasileiro?